Fofoca não Modifica

FOFOCA NÃO MODIFICA

Fabio Veronesi

Observo pessoas fofocando. Tento fazer com que não percebam que as observo. Estão tão entretidas em fofocar que não me notam. Me aproximo e constato que falam de uma terceira pessoa, conhecida de ambas, que está ausente. Me afasto um pouco para observar melhor, não me interessa o conteúdo do que falam e sim a forma como falam – o tom de suas palavras e os gestos que as acompanham. É muito interessante a gestualidade de quem fofoca – as mãos vão à boca e um ou dois dedos entrecortam a ar que sai com as palavras. Riem muito e levam bastante a mão aberta ao coração. Durante as falas, as pessoas continuamente se aproximam e se afastam do ouvido uma da outra. Às vezes olham para os lados, como se quisessem ter certeza que ninguém mais irá ouvir o que irão falar em seguida.

A fofoca está presente em todas esferas sociais. Pais e mães fofocam dos filhos(as) e vice-versa, mulheres formam grupos para fofocarem dos seus maridos e vice-versa, parentes fofocam de parentes com outros parentes, amigos(as) fofocam sobre amigos(as) com outros/as amigos(as), funcionários fofocam sobre suas instituições de trabalho e sobre a atuação de seus gerentes, consumidores fofocam sobre o atendimento e qualidade de produtos e de estabelecimentos comerciais, alunos fofocam sobre outros alunos e sobre seus professores e sobre o que acham da escola em que estudam, fiéis fofocam sobre padres, eleitores fofocam sobre políticos, vizinhos fofocam sobre as pessoas da vizinhança, …

É interessante notar que apesar de ser um momento de troca de informação “secreta”, a fofoca não cria maior intimidade entre as pessoas. Fofoca é uma pseudointimidade. Fazer fofoca parece com trocar intimidade porque mostra um pouco do que escondemos. Mas, está longe de ampliar a intimidade exatamente porque revela enquanto ato, os motivos pelos quais não podemos confiar uns nos outros.

Não há problema em se falar de pessoas ausentes à conversa, sobre suas características ou sobre fatos que ocorreram, desde que a intenção seja elaborar melhor as opiniões, dividir com um amigo, um terceiro, dificuldades na relação com outro amigo ou com pessoas da família. Isso pode ser muito saudável para as relações, desde que sua finalidade seja preparar-se melhor para uma conversa direta e franca com a pessoa da qual se falou com outro(s).

Falar “por trás” é um indício claro de que aquilo que a pessoa da qual falamos fez ou disse, nos incomodou de alguma forma. Às vezes, seguramos pequenos incômodos ou sofremos pequenas frustrações que foram jogadas para o subconsciente, onde perdemos a possibilidade de entrar em contato franco com elas. Podemos arquivar e carregar incômodos por certo tempo sem nem mesmo nos apercebermos deles (na verdade sem querermos nos aperceber deles).

O ato de ‘falar por trás’ é um sinal, um aviso claro de que existe necessidade de tomarmos consciência de coisas que estamos disfarçando de nós mesmos. Por isso o ato de ‘falar por trás’ pode ser um amigo para quem decide perceber o que isso significa. O conteúdo e a forma da comunicação, o que dizemos e ouvimos em fofoca e a forma como fazemos isso, são sempre reveladores. Revela emoções – elas fluem mais livremente quando falamos daquele conteúdo ‘por trás’ das pessoas, fora do quadro de referência que criamos com elas. Revela um lado não assumido normalmente, revela fatos inéditos e revela as opiniões não ditas quando se ‘fala de frente’, sobre os fatos narrados, sobre as pessoas e seus comportamentos.

Quem se apercebe dessas revelações ganha importante material de auto-análise e melhor entendimento de si, das pessoas e das relações. Por isso, fazer fofoca pode ser positivo se a gente decide usar esse fato para conscientizar-se do que andamos contendo e porque o estamos fazendo.

Quem decide enfrentar o desafio de comunicar diretamente aquilo que ficou emocionalmente claro ser necessário comunicar, dá o próximo passo no processo de transformação pessoal. Quem consegue comunicar o que sente ser preciso, provoca transformação em si mesmo, nas pessoas e no mundo.

Quem persiste nesse caminho logo descobre que sinceridade não é dizer tudo que se acha sobre as coisas e as pessoas. A isto poderíamos chamar de “sinceridez” – uma mistura de sinceridade com estupidez. As pessoas não estão abertas para ouvir críticas sobre si. Precisamos estar cientes dos motivos que temos para fazer isso.

De forma análoga, com relação ao que falamos sobre nós mesmos, cabe entender que sinceridade não é dizer para os outros tudo o que fazemos, revelar atos ilegais, imorais ou socialmente desaprováveis. A isto poderíamos chamar de “confissionismo” e não sinceridade. Muitas vezes o que nos move a confessar não é a busca da sinceridade, mas de chamar atenção sobre nós mesmos.

Sinceridade está associada a assumir (em primeira instância para si mesmo) suas opiniões sobre as coisas e as pessoas e ter a coragem de revelá-las sempre que ficar claro que há necessidade disso. Quando percebemos que se não falarmos diretamente, passaremos a ser hipócritas. Quando percebemos que se trata de uma questão ética falar sobre aquilo, porque caso não falemos o outro será prejudicado sem possibilidade de se defender ou sequer saber que está sendo prejudicado. Quando nossas atitudes já falam há muito tempo aquilo que nos falta assumir em palavras e chegamos no ponto em que não mais suportamos essa represa. Seja falar um incômodo ou revelar uma paixão.

Ser sincero é ter certeza que se tem coragem para falar, se necessário. O que nos dá calma para saber se, quando e como vamos falar. Sinceridade é ter coragem de revelar paixão, amor e amizade. Sinceridade é ter coragem de romper com relações que nos retiram energia, pessoas das quais andamos reclamando ‘por trás’, mas fazemos a manutenção da relação ‘pela frente’. Se vamos ou não dizer tudo que achamos daquela pessoa depende totalmente da situação e dos nossos objetivos. Muitas vezes a sinceridade não está em falar, mas em simplesmente fazer.

O rompimento de uma relação é um rasgo que abre espaço para novas relações. Com outra(s) pessoa(s) ou ainda, depois de um tempo de rompimento, uma nova relação com a mesma pessoa. Nesse caso, ser sincero significa lutar para que a relação sobreviva, supere as crises através da transformação das pessoas que se relacionam, revelar opiniões ocultas de um sobre o outro, seu jeito de ser. Trata-se de uma descoberta – tirar o cobertor, destapar, desacomodar – em busca de salvar a relação.

Mas, se temos claro que devemos dar fim à relação, abrindo espaço para outras possibilidades, ser sincero significa efetivar o ato de separação. Ele já diz muita coisa em si. Provavelmente, muito já foi dito antes de se chegar a esse ponto. Talvez nesse momento de separação, falar tudo o que acha sobre o outro somente para esvaziar conteúdos ocultos, não seja um ato de sinceridade, mas de sinceridez. Mais sincero, no caso, talvez seja cuidar para que ambas as partes possam seguir independentes, sem rancores, sem amarras um no outro. Ou seja, efetivar a separação da melhor forma possível. Simplesmente sair sem dizer muita coisa.

Ser sincero é ter coragem de comunicar incômodos e afetos que normalmente ocultamos uns dos outros. Saber-se capaz de falar, já ter feito isso diversas vezes, ter o hábito de fazer isso em suas relações cotidianas. Porém, ter a coragem de falar não significa necessariamente ter que falar. Pelo contrário. Saber-se capaz de falar caso sinta necessidade, nos deixa mais tranquilos para buscar o momento e o tom melhor para que a mensagem seja mais efetiva, receba menor resistência, modifique as atitudes e, principalmente, abra espaço para que o outro também nos fale, nos dê retorno sobre o que falamos sobre ele, revele também suas opiniões ocultas sobre nós.

Esse retorno é que nos irá dar melhor noção de realidade sobre nossas suposições e especulações sobre os outros e as situações, diminuindo nosso grau de fantasias e achares demasiados, bem como mostrará nosso grau de cegueira para enxergar o que era óbvio.

Enquanto o que achamos sobre o(s) outro(s) permanece só com nós mesmos, dentro de nossas cabeças, podemos ter a ilusão de estar totalmente certos. Ao comunicarmos tais coisas diretamente para esse(s) outro(s), invariavelmente o retorno deles sobre o que ouviram de nós, suas justificativas para o ocorrido, sua versão da história, seus motivos, etc. nos dão um choque de realidade onde percebemos claramente de que havia certa razão no que achávamos, mas que havia preconceito, que não estávamos enxergando o todo, que parte de nossas opiniões estavam equivocadas.

Fazer fofoca é o meio termo entre o discurso estar somente em nossas cabeças (fala interna) e ser aberto para as pessoas sobre as quais estamos pensando. Transformamos nossas palavras pensadas em palavras ditas, materializadas, mas não diretamente para aqueles sobre os quais falamos. Essa materialização já dá certo choque de realidade, mas seu efeito é blindado pela falta de retorno imparcial de quem nos ouve fofocando. A pessoa que ouve pode até tentar mostrar outros ângulos além daquele que a pessoa que fala trás, mas o que geralmente se espera da pessoa que nos ouve desabafar é que concorde conosco, não busque mostrar pontos contrários ao nossa parecer, não defendam aqueles de quem “falamos mal”. Se esse pacto não se estabelece bem, da próxima vez a pessoa procura outra pessoa par fazer fofoca, arruma outro amigo confidente que o entenda melhor e não fique questionando seu desabafo.

Como foi dito, fazer fofoca dá certo choque de realidade em nossas opiniões fantasiosas, simplesmente por sua verbalização para alguém, mas mantém a blindagem que permite a ilusão de estarmos totalmente certos em nossos argumentos.

Um ponto importantíssimo sobre a sinceridade é que ela também significa ter a coragem de assumir e expressar o que amamos, o que nos agrada nos outros. Perceba que é clássica também a situação de falarmos que estamos apaixonados por alguém, para outra(s) pessoa(s) e não para a própria. Isso também é fofoca. Também nos revela o que precisamos assumir para sermos sinceros.

Outra situação clássica é aquela em que alguém vive reclamando sobre seu/sua companheiro/a, constantemente fala em separação, diz que só não se separa por causa dos filhos ou por causa do dinheiro ou por causa da família, etc. O tempo passa e a separação não se efetiva. Mudam as desculpas que justificam o porquê não se deve separar agora, mas o incômodo permanece. Ser sincero, nesse caso, talvez não signifique falar incômodos, mas assumir que ama a pessoa com quem convive há anos. Talvez a dificuldade esteja em sentir felicidade com o que há. Talvez o que esteja oculto seja o fato de sentir-se satisfeito com coisas a que há muito tempo não está dando o devido valor.

É fato comprovado por todos os que se aventuram a ser mais sinceros, que agressividade e afetividade são faces da mesma moeda. Quem começa a ter coragem de dizer o que não gosta no outro, invariavelmente depois de um tempo começa a perceber melhor e também comunicar aquilo que gosta no outro, mas que a muito tempo não falava abertamente.

Quando ocultamos incômodos, automaticamente ocultamos afetos.

A fofoca tem como principal assunto jeitos ou atitudes de pessoas que não participam da conversa, difíceis de serem diretamente comunicados à pessoa de quem falamos porque causariam constrangimento, exibiriam um problema que a pessoa vem arrastando a solução faz algum tempo, exporiam a fragilidade dessa pessoa e, finalmente, abririam a necessidade de mudança no jeito de ser dessa pessoa e na relação que se tem com ela. Pontos difíceis de serem expostos porque abrem as comportas do grande pacto que segura esse outro de quem falamos de também não falar certas verdades sobre a nós. Pontos difíceis de serem expostos porque sua comunicação se dá no campo da intimidade. Existe uma falsa suposição de que há necessidade de primeiro criar-se intimidade para depois poder, talvez, comunicar diretamente o que fofocamos sobre aquela pessoa. Cabe perceber que é ao contrário. Se comunicarmos diretamente o que fofocamos ‘por trás’, necessariamente estaremos criando intimidade. Essa intimidade pode tanto levar a maiores níveis de amizade como ao rompimento da relação. Mas de qualquer forma amplia as possibilidades de se estabelecerem relações de maior intimidade, crescimento pessoal e cumplicidade.

Uma das finalidades das psicoterapias somáticas é renovar e ampliar a capacidade das pessoas de criar intimidade no processo de recuperação da potência orgástica. Digo renovar porque as crianças naturalmente buscam trocar intimidade, contam seus problemas pessoais, falam dos nossos, se expõe e nos expõe facilmente.

A terapia pode ser um ato contínuo porque somos seres em constante mutação. Estar em constante terapia é colocar em movimento a energia de comunicação que se perde em fofoca. Ampliar as possibilidades de falar de si e sobre o outro sinceramente. Romper pactos e padrões condicionados de comunicação. Saber ouvir o que o outro nos diz sobre nós.

A terapia precisa ajudar a desenvolver formas de comunicar o que falamos dos outros diretamente para esses outros sempre que isso for importante para nossa autenticidade. Falar de uma pessoa para a própria é um ato de enfrentamento para quem fala. Trabalhar a dificuldade de ultrapassar esse desafio consiste em primeiro fazer com que essa comunicação se expresse e, segundo, que a forma com que ela aconteça esteja sintonizada também com a dificuldade do outro em ouvir sobre si mesmo. Ultrapassar a dificuldade de comunicar sem apelar para um tom bruto ou superior que muitas vezes surge nesse momento como um processo de defesa de quem fala. Mas, esse aprimoramento da forma de bem comunicar assuntos delicados só se consegue ao praticar esse falar seja como for que à princípio se consiga. Com a experiência, com os erros e acertos, é que se consegue cada vez mais tornar eficaz essa comunicação.

Analogamente a terapia deve fortalecer nossa autoestima sem perder de vista a necessidade de mudança de nosso jeito de ser, para podermos não atacar quem nos comunica diretamente suas opiniões sobre nosso jeito de ser e nossas atitudes, mesmo que não concordemos inteiramente com elas.

A pessoa que nos vê de fora não vai acertar exatamente, numa análise que faça sobre nosso jeito de ser, por melhores ou piores que sejam suas intenções. Isso, porém, não deve servir de caminho de escapatória para que não enxerguemos que naquela comunicação há algo que nos diz respeito e interessa ao nosso saber sobre nós mesmos.

As opiniões que temos sobre outras pessoas ou sobre seus motivos para agirem como agem ou sobre fatos que aconteceram envolvendo essas pessoas, só caem do lugar de “verdades absolutas” quando recebemos o retorno dessas pessoas resultado da comunicação das opiniões que emitimos sobre elas. Enquanto nossas opiniões estão guardadas dentro de nós, elas são certezas que carregamos. Ao comunicarmos diretamente essas opiniões abrimos o canal, também direto, de retorno sobre elas. Geralmente percebemos que as coisas não são exatamente como achávamos que fossem nos nossos pensamentos e fofocas. Esse processo é fundamental para o crescimento de nossa percepção acerca dos fatos, das coisas, das pessoas e de nós mesmos. Quando fofocamos tornarmos esse retorno mínimo, já que uma terceira pessoa só pode supor acerca do universo da pessoa de quem se fala.

Estar dentro de um processo de comunicação com baixos níveis de fofoca e altos níveis de comunicação direta, nas diversas esferas sociais: família, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, comércio, etc. provoca pequenas revoluções cotidianas, mexe com estruturas de convivência já estabelecidas, promove mudanças pessoais e na dinâmica dos grupos.

Em todas as esferas de socialização, a energia gasta em fofocadigo tudo aquilo que se fala de alguém, mas não se fala para esse alguém – desperdiça a força de transformação provocada pelo impulso humano de comunicar o que lhe afeta no cotidiano. Ao falarmos com uma terceira pessoa sobre uma segunda pessoa em nossas vidas, estamos esvaziando uma necessidade de comunicação, satisfazendo uma ânsia interna. Essa energia, que foi gerada pelos fatos e a eles deveria ser devolvida, perde sua função de mover as pessoas para estados de maior consciência sobre si. Ela é o agente que limpa o espelho – o retorno que recebemos do mundo sobre nossas atitudes, o que sabemos sobre o que os outros acham de nós. Sem esse reflexo não sabemos quem somos. E nem quem são as pessoas. Não nos revelamos e não enxergamos o outro. Trocamos segredos, desabafamos, mas não criamos intimidade entre nós.

A fofoca é cultural. Ela se perpetua há séculos em nossas sociedades porque tem importante função – ela é o cano de escape que não deixa transbordar a represa que sustenta o pacto de mediocridade que impera em nossas relações cotidianas – não falo minhas sinceras opiniões sobre você e não quero ouvir suas sinceras opiniões sobre mim.

Há um hiato entre a comunicação racional e a comunicação corporal que se estabelece a partir do paradoxo comunicacional que o pacto de mediocridade implanta em nossas comunicações interpessoais. O Corpo permanece sendo sincero naquilo que comunica, mesmo quando isso não combina com o conteúdo de nossos discursos.

Há anos pesquiso um interessante fenômeno que qualquer um atento ao fato, irá percebê-lo: todas as vezes que alguém diz “vire à direita” (por exemplo), mas sua mão esquerda faz um sinal virando para esquerda, pode verificar que o discurso estava “enganado”. Por isso quando uma pessoa estiver te dando instruções sobre o caminho para chegar a algum lugar, se o corpo dela gesticular algo diferente das instruções dadas pelo conteúdo de seu discurso, pode questioná-la, porque ela invariavelmente irá dizer que se enganou em seu discurso. Um exemplo que aconteceu essa semana comigo – uma vizinha me pediu um abridor de garrafas emprestado, mas no momento em que falou isso, sua mão se fechou e torceu o ar, repetindo essa torção duas vezes. Eu lhe perguntei: não seri um saca-rolhas o que você quer? Ela riu e disse: sim é um saca-rolhas e não um abridor de garrafas.

Nesse simples fenômeno se revela toda coerência metodológica da Psicologia Somática. Esse hiato de entendimento que aparece inocente nessas situações é o mesmo que está na gênese das neuroses e divergências entre o que somos e o que queremos ser.

Exatamente por insistir em ser sincero em suas comunicações, o Corpo precisa ser constantemente contido. Essa contenção constante consome enorme quantidade de energia vital. Essa energia vital desviada é a fonte energética das neuroses. Energia retirada da Vida plena em sua expressão espontânea e direcionada para contenção dessa expressão.

Um ambiente social que nos dá a possibilidade de ser sinceros em nossos discursos, permite aos Corpos relembrar como é expressar sua sinceridade sem contenções. A comunicação corporal pode se reaproximar do discurso que sai de nossas bocas. Essa experiência trás uma inédita sensação de completude, semelhante a algo já experimentado na infância, mas novo porque agora somos adultos.

Um ambiente social assim estabelecido e mantido por um tempo, tem efeito terapêutico por si só. Além dos conteúdos revelados nos discursos, o que transforma as pessoas é a possibilidade de ser sincero sem ser reprimido ou excluído. Nesse ambiente a fofoca perde sua função e se extingue enquanto prática social. A energia anteriormente gasta em fofoca pode, então, ser usada como força de transformação do caráter, personalidade ou jeito de ser de quem ouve e de quem fala sobre si e sobre o outro, sinceramente. Tal ambiente é o que em Psicologia Somática chamamos de ambiente profilático de neuroses.

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Obra registrada na Creative Commons by Fabio Veronesi

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