Freudeu

Dai a Freud o que é de Freud

Fabio Veronesi

Por mais que se tente negar, não há psicoterapia que esteja fora da necessidade de conhecer e integrar a seus métodos a teoria psicanalítica. Em outras palavras: a Psicologia, quando estende seu braço para prática, no ramo conhecido como “clínica”, não tem como fugir da teoria psicanalítica pois ela funciona como manual de sobrevivência do terapeuta e seu trabalho porque, por um lado, é fundamental para o entendimento sobre suas questões pessoais envolvidas no atendimento ao outro e, por outro, é imprescindível para o sucesso do trabalho ao qual se propõe.

Dos vários ramos da Psicologia há muitos que se pretendem totalmente fora do que seja Psicanálise. Eles conseguem seu intento no que diz respeito ao que for teórico. Mas, ao partir para prática, se defrontam com as dificuldades do trabalho terapêutico em si e encontram na teoria psicanalítica ferramentas sem as quais não podem pretender-se artesãos da arte de fazer terapia. Muitos psicoterapeutas insistem em negar as teorias psicanalíticas em seus métodos (os gestalt terapeutas, cognitivo-comportamentais e esquizoanalistas, por exemplo), mas basta fazer terapia com eles para constatar que em sua prática consideram a perspectiva que existe algo Inconsciente, algo que diverge daquilo que a pessoa explicita. Percebe-se a suposição de que algo inconsciente resiste à terapia, que há um sentido simbólico para ausências e atrasos, por exemplo, além daquele com o qual se justificam essas ausências e atrasos. Que há um sentido simbólico no não pagamento da seção, como outro exemplo básico. Ou da negação no discurso da pessoa sobre algo que está na cara, como outro exemplo. Todo terapeuta que vê algo além do óbvio explicitado pela pessoa sobre si, trabalha com a perspectiva do Inconsciente. Por mais que queira negar a Psicanálise, bebe da sua fonte. Assim também o faz todo psicoterapeuta que percebe e considera seus sentimentos em relação ao terapeutizado e vive-versa como relevantes no processo terapêutico.

Por outro lado, há métodos que divergem da Psicanálise, mas tem a lucidez de dar a Freud o que é de Freud. Ou seja: a divergência se localiza na técnica, que pode ser totalmente distinta da livre associação de palavras em um divã, mas o conhecimento da teoria psicanalítica, o entendimento dos conceitos de Inconsciente, Resistência e Transferência é fundamental no embasamento teórico do terapeuta. Nessa linha podemos dar como exemplo o Psicodrama, as terapias junguianas e as terapias psicossomáticas ou reichianas.

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Obra registrada na Creative Commons by Fabio Veronesi

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